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Economia
Postado em 11/05/2018 - 17:58

Conab prevê safra recorde em Minas Gerais

Com o avanço da colheita da safra mineira de grãos 2017/18, os números foram revisados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e Minas Gerais deve registrar novo recorde produtivo. De acordo com os dados do 8º levantamento da Safra de Grãos, a produção estadual pode chegar a 14,16 milhões de toneladas, volume que, se concretizado, ficará 0,6% superior à temporada anterior, quando foi registrado o volume recorde de 14 milhões de toneladas. Até o levantamento anterior, divulgado em abril, a estimativa era de uma retração de 2,6% com previsão de colher 13,71 milhões de toneladas de grãos. No País é esperada queda de 2,1% com a safra somando 232,6 milhões de toneladas.

No Estado, a área plantada chegou a 3,3 milhões de hectares, espaço 2,1% inferior ao utilizado na safra passada. O destaque vem sendo a produtividade, que está 2,8% maior com rendimento médio estimado em 4,29 toneladas por hectare.

De acordo com o superintendente de Informações do Agronegócio da Conab, Aroldo Antônio de Oliveira Neto, a soja e o algodão são os produtos que mais contribuíram para o crescimento da produção.

“Este ano, os destaques para o crescimento da safra são a soja e o algodão. Mesmo colhendo uma safra maior destes produtos, os preços continuam valorizados. O setor do algodão está com boa rentabilidade e este foi um dos motivos para o crescimento da área neste ano”, explicou Oliveira Neto.

No Estado, a área ocupada pela soja cresceu 2,3% e somou 1,48 milhão de hectares. Com o clima favorável e o uso de pacotes tecnológicos avançados, a produtividade aumentou 3,7% e o rendimento por hectare foi calculado em 3,6 toneladas. Com a variação positiva na área e na produtividade, a colheita da soja mineira deve alcançar 5,37 milhões de toneladas, alta de 6,1% frente ao volume recorde de 5,06 milhões de toneladas colhidas na safra 2016/17. No Estado, a colheita está próxima ao encerramento.

Já no segmento de algodão, a demanda externa em alta e os preços valorizados estimularam os investimentos na cultura. Somente a área de plantio foi ampliada em 60% e somando 25 mil hectares, ante os 15,6 mil utilizados na safra 2016/17. A produtividade do algodão em caroço, 2,2 toneladas por hectare, apresentou pequena retração de 1,7%. A expectativa é colher 55,1 mil toneladas de algodão em caroço no atual período produtivo, volume que, se alcançado, será 54,8% superior. A produção de algodão em pluma deve crescer 62,1% somando 36,8 mil toneladas.

Milho - Os preços baixos praticados no ano passado e a concorrência com outras culturas fez com que a produção de milho retraísse em Minas Gerais. A colheita da primeira safra rendeu em torno de 5,33 milhões de toneladas, queda de 8%. Na área plantada foi verificada retração de 10,4%, com o plantio do cereal distribuído em 814,8 mil hectares. Com clima favorável, a produtividade cresceu 2,7% e o rendimento chegou a 6,5 toneladas por hectare. A colheita está em fase final.

Para a segunda safra, a estimativa é de um aumento de 14,6% no volume, que pode chegar a 1,9 milhão de toneladas. A alta foi puxada pela recuperação da produtividade, uma vez que no ano anterior o rendimento foi prejudicado pela falta de chuvas. Este ano, a produtividade foi calculada em 5,79 toneladas por hectare, variação positiva de 20,1%. A área destinada ao cereal está 4,6% menor, com o uso de 341,2 mil hectares. A queda na área plantada se deve ao atraso na colheita do milho primeira safra e da soja além dos custos altos de produção.

Segundo a Conab, a elevação dos preços do milho e as condições climáticas favoráveis podem motivar algum incremento na área de cultivo na segunda safra. Porém, a janela de plantio pode ser o fator limitante deste ano para a cultura. Também é esperado que parte dos produtores opte pelo plantio de sorgo, que é mais resistente à estiagem.
A safra total de milho em Minas Gerais foi estimada em 7,3 milhões de toneladas, queda de 2,8% frente ao ano anterior.

Feijão - No caso do feijão, a produção total foi estimada em 535,9 mil toneladas, volume que ficou estável ao da safra passada, com pequena variação positiva de 0,2%. Na primeira safra, Minas Gerais colheu 194,7 mil toneladas de feijão, retração de 0,3%. A produtividade no período ficou 2,4% maior com a colheita de 1,24 tonelada por hectare. A área destinada ao cultivo caiu 2,5% com o uso de 156,9 mil hectares. A redução de área aconteceu em função dos preços baixos pagos pelo feijão e a concorrência com produtos mais rentáveis, como o milho e a soja.

Para a segunda safra, que está no início da colheita, houve redução de 3,9% na área plantada, que somou 112,2 mil hectares. O espaço menor se deve aos preços mais baixos praticados ao longo da primeira safra do grão. A produtividade média do feijão foi calculada em 1,37 tonelada por hectare, variação positiva de 3,3%. A produção tende a retrair 0,8%, com a colheita de 154 mil toneladas.

Já a estimativa para a terceira safra de feijão aponta para um aumento de 1,4% no volume, que pode alcançar 187 mil toneladas.

Fonte: Diário do Comércio