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Economia
Postado em 09/06/2020 - 14:57

Retração na demanda prejudica a cotonicultura

Com a colheita iniciada há poucos dias, a produção de algodão em Minas Gerais já sente os efeitos negativos provocados pela pandemia. Com o comércio de vestuário fechado nos principais centros de comercialização e as festas canceladas, a demanda por produtos têxteis está menor e impactando nos preços do algodão.

No Estado, produtores de algodão têm reduzido os impactos negativos devido à qualidade superior da pluma e das certificações conquistadas, o que tem mantido a demanda por parte dos compradores.

Além disso, o Programa Mineiro de Incentivo à Cultura do Algodão (Proalminas), que paga um valor acima do mercado pela pluma comercializada com as indústrias têxteis locais, vai garantir a comercialização de parte da safra.

De acordo com a Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa), já houve uma retração dos preços pagos pela pluma e a tendência é de uma queda próxima a 15% na área a ser plantada na próxima safra, tanto em Minas Gerais, como no País.

O diretor-executivo da Amipa, Lício Pena, explica que a colheita na agricultura empresarial foi iniciada há poucos dias e a estimativa é de uma produtividade recorde e com alta qualidade de pluma.

“Nossa expectativa é superar a série histórica, atingindo uma produtividade média de 290 arrobas de algodão em caroço por hectare e, com isso, gerar um volume de pluma em torno de 65 mil toneladas. A produção de pluma não será recorde porque tivemos um ajuste na área plantada, que, nos últimos anos, cresceu muito. Em 2019, plantamos 42,72 mil hectares e produzimos 74 mil toneladas de pluma. Na safra atual, plantamos 37,8 mil hectares”, afirma.

O clima favorável e os diversos investimentos feitos pelos cotonicultores fez com que a safra mostrasse resultados, até o momento, positivos e conforme planejado pelo setor.

A qualidade da fibra está de acordo com os padrões internacionais. A qualidade superior tem sido essencial para reduzir os problemas provocados pela pandemia do novo coronavírus, que reduziu a demanda das indústrias têxteis do mundo e acabou contribuindo para a queda dos preços da pluma.

“A demanda pelo produto está menor e, com isso, os preços na bolsa de Nova York não estão agradáveis para o setor, com a pluma cotada a 60 centavos de dólar por libra-peso, mas o câmbio desvalorizado tem reduzido as perdas quando se faz a conversão.

Mas um preço compensativo ficaria em torno de 70 centavos de dólar por libra-peso”, diz Pena.

Ainda segundo Pena, cerca de 50% da pluma mineira será destinada ao mercado externo, principalmente para o Sudeste Asiático. Até o momento, 25 mil toneladas já foram comprometidas para o mercado internacional. Os demais 50% da produção são destinados ao mercado interno.

“A demanda do mercado internacional também está menor, mas, devido à qualidade e às certificações, o algodão produzido em Minas Gerais atrai os compradores, que dão preferência ao nosso produto”, explica.

Proalminas – Já no mercado interno, o grande diferencial é o Proalminas. De acordo com Pena, enquanto a arroba de pluma é comercializada a R$ 89, em Minas Gerais o produtor que faz parte do programa recebe R$ 94, um diferencial considerado essencial para a remuneração do setor.

“Em um momento de crise tão severa como esta que estamos vivendo, o Proalminas se torna ainda mais importante, uma vez que o produtor tem a garantia de que a indústria vai comprar e que ele vai receber”, destaca.

Ainda segundo Pena, investimentos feitos ao longo dos anos pelos produtores têm gerado bons resultados. A certificação Better Cotton Initiative (BCI), que tem parâmetros rigorosos em relação às boas práticas de produção, como a preservação do meio ambiente e respeito às questões sociais, tem sido um grande diferencial. Marcas mundiais – como Nike e Adidas -, por exemplo, dão preferência a produtos com este certificado. Em Minas, cerca de 60% dos cotonicultores possuem o selo.

“O algodão mineiro é bem disputado para exportação. Além da logística facilitada, o patamar de qualidade e de padronização é superior. Este também é um resultado do trabalho da Amipa e do Proalminas. Os investimentos permitiram a criação do laboratório Central de Classificação de Fibra de Algodão (Minas Cotton), filial tecnológica da Amipa, que trabalha em busca da melhoria da qualidade da fibra”.

Certifica Minas – Outra ação que será essencial para o setor é a inclusão do algodão no Programa Certifica Minas. Iniciado no ano passado, a tendência é de que a adesão dos produtores cresça em 2020. A expectativa é de que a certificação, que é feita pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), englobe a certificação BCI.

“Essa busca pela qualidade no momento de baixa liquidez, excesso de oferta e número menor de compradores define a comercialização. É um trabalho que vem sendo feito há 14 anos e que agora gera resultados diferenciados. Vamos passar por dias difíceis, estamos nos preparando para isso e vamos ter que enfrentar. Vamos superar esse momento para que a produção de algodão continue gerando empregos e renda”, avalia.

Em relação à próxima safra, a estimativa é de uma redução de 15% na área, que tende a ser cultivada com soja. Os preços remuneradores e a maior liquidez da oleaginosa devem favorecer o plantio.

Fonte: Diário do Comércio